domingo, 5 de outubro de 2008

Musicalidade

Divina cantiga que guarda no velho porão das sábias lembranças, todo o sentido de sua permanência ali. Embala agora e ecoa pela criança que não é, nem menino, nem menina, mas possui muito de mim. Olho e vejo-me nele, ao mesmo tempo em que vejo ali, outra pessoa.
A canção desce por ela e a envolve como uma fita de partitura invisível, que a embala e a faz girar em seu próprio eixo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Fantasma

Entre

realidade e fantasia.

 

Horas

aqui e  ali.

 

            Assim,

            faz-se o dia. 

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O Canal

TOC... O barulho surdo e seco é a única luz no vazio. Acorda como se fosse a primeira vez. O corpo lhe parecia maquina desutilizada. Nas artérias não há sangue. Pensa em morrer ali mesmo. Não da pra saber o tamanho do lugar, mas da pra ouvir o coração pulsando oco. Entre os últimos suspiros chama. Grita em seu intimo e ecoa fundo a alguém, por um cano em direção ao occipital. Sente a respiração ofegante deste que não está ali. Dá dois passos... A jornada é longa, afinal quanto tempo há para ser salva? Mais dois passos... PLACT! O cheiro pútrido em suas entranhas a corroem como um ácido. Sente vontade de vomitar. O chão pegajoso, os buracos fundos no assoalho e o sangue.